Workaholics – viciados no trabalho (Ibrahim Madruga Cavalcanti)

Vive-se hoje numa sociedade capitalista e globalizada. Nesse cenário ultracompetitivo, há muitas pessoas que tentam aproveitar ao máximo seu potencial com a finalidade de ascender na profissão. Para outras, porém, isso é secundário e menos importante do que ter uma vida saudável e sem estresse.

A busca pela excelência no trabalho é algo louvável; não há nada de errado em querer corrigir os próprios erros e ser um profissional melhor. Muitos querem obter um posto e um salário mais altos. Além disso, numa economia global cada vez mais afetada pela crise, torna-se ainda mais importante para um funcionário mostrar o seu valor. O problema ocorre quando a vontade de trabalhar melhor torna-se uma obsessão.

O capitalismo, que hoje impera, leva insaciavelmente a que se produza e consuma mais. Vários executivos e empresários acabam adotando essa “filosofia”, o que pode ter consequências prejudiciais. Ao colocar o trabalho em primeiro lugar, muita gente sacrifica o descanso e o lazer; isso é contraditório, já que uma das principais funções do trabalho é proporcionar uma boa qualidade de vida. Há hoje muitos aposentados que se queixam de não ter estado perto dos filhos quando estes ainda eram pequenos. Muitos se arrependem da viagem que perderam ou das noites em claro, fruto da busca pela perfeição profissional. Ademais, o que diriam disso os operários que, forçados a trabalhar 14-16 horas, lutaram e morreram pelos direitos trabalhistas?

Não há nada errado em querer ser melhor na profissão, desde que isso não interfira negativamente na vida pessoal. A vida é curta demais para ser consumida em intermináveis horas de trabalho.                 

                                           (Extensivo 2011)