Vírgulas em concurso para o TST

Daniela, de Uberaba (SP), pede um comentário sobre a seguinte afirmação, que a banca de concurso para o Tribunal Superior do Trabalho considerou errada:

“Respeitaria as regras de pontuação e de redação de documentos oficiais a inserção da expressão ‘por que não’ no corpo de um ofício, tanto entre vírgulas quanto entre travessões, como aparece no texto.”

O texto é o seguinte: “Só que ele está mudando de cara. Como também está mudando o perfil de quem acaba de sair da universidade, da mesma forma que as exigências da sociedade e – por que não? – do mercado, cada vez mais globalizado e competitivo.

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Expressões intercaladas delimitam-se por travessões ou parênteses. O uso de  vírgulas nesses casos não é aconselhável, sobretudo por motivos estéticos.

Certamente a banca considerou errada a afirmação pela referência às vírgulas. Mas pode ter havido, também, uma razão semântica. O ofício é um documento sóbrio, que dispensa intercalações subjetivas. Essas intercalações, de efeito retórico, ajustam-se melhor a textos informais como o que aparece na prova.