Sobre “A idade do bobo” (8) – Almira Hagen

         Como estou muito aquém dos eruditos e dos teóricos da literatura brasileira, decidi tecer algumas impressões que tive ao ler o livro "A Idade do Bobo, Crônicas," do escritor paraibano Chico Viana (Francisco José Gomes Correia). Eu tive a honra de conhecer o Professor Chico Viana, PhD, desde a época em que estudávamos Letras pela UFPB na década de setenta. Lembro-me perfeitamente do seu primeiro livro, “De Mãos Atadas”, quando eu publiquei o meu livro “Elos". Lembro-me das nossas conversas puramente intelectuais incluindo Sartre, Teologia, Filosofia em geral e Literatura. Neste momento, o cronista Chico Viana nos presenteia com o seu mais recente livro "A Idade do Bobo”. Ao mergulhar na leitura das suas crônicas, quase contos, fiquei deslumbrada com a riqueza do texto em si. Percebi de imediato a criatividade do escritor ao transformar com tamanha simplicidade e intelectualidade as suas memórias incandescentes em crônicas literárias. Atenta aos mínimos detalhes do discurso literário, eu senti a impressão de que "A Idade do Bobo" representa as várias fases do desenvolvimento da consciência humana em relação ao temporal e seu meio circundante. O escritor se baseia numa retrospectiva saudosista e reflexiva do passado e alerta o leitor sobre a realidade vigente. Através dos seus personagens e das suas observações e aprendizagens, eu tive a impressão de que o bobo não tem uma idade fixa. O cronista coloca-o na dimensão das relações pessoais e numa apreensão crítica das informações de massa. Interessante notar que o bobo, no texto do autor, surge como um bobo da corte tão conhecido na história da literatura. Só que esse bobo é mais sofisticado. Sente profundamente o seu mundo interior e circundante. Ele se irrita, se vinga, ironiza, alerta o leitor e até analisa as experiências pessoais e alheias através da sua voz interior. O bobo busca explicações na filosofia, na psicologia, na psicanálise, e consulta a internet para adquirir informações. O cronista é um erudito da gramática portuguesa e por isso não é de admirar que suas crônicas sejam lições gramaticais para o leitor. O cronista enfatiza a importância do uso correto da gramática da língua portuguesa. Percebi que estou muito aquém do cabedal de conhecimento do meu colega Chico Viana com referência ao uso da língua portuguesa. Ele domina a língua portuguesa com uma naturalidade e simplicidade que tive a impressão de que o cronista transforma sem muito esforço suas experiências em crônicas essencialmente literárias. O híbrido do eu individual e do eu coletivo se harmonizam entre si. "A Idade do Bobo" é um livro fascinante em vários níveis da crônica literária. Recomendo a leitura do mesmo. Professora Almira Hagen, Letras, Português, Literatura Brasileira e Teoria Literária – UFPb. MA- University of Mary Washington.

Almira Hagen

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>