Para Augusto dos Anjos (soneto)

 

Perscrutando com afã a Natureza,

viste no homem a espécie corrompida,     

e para resgatar sua nobreza   

deste-lhe a Dor como única saída.

 

Depois, entre razão e desvario 

(e mais aprofundando a tua lupa),

viste na carne, esse algoz sombrio,    

o motivo maior da sua culpa.

 

Mas quando, por efeito do pecado,

vias o ser humano condenado

ao verme, ao fedor, à podridão,

 

surpreendeste na força da Beleza,

que alivia do mundo a aspereza,

o caminho da sua redenção.

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