O guia para a redação do Enem

O guia “A redação no Enem 2013”, divulgado recentemente pelo Inep para orientar os participantes, traz pequenas mudanças em relação à versão de 2012. Está, por exemplo, mais enxuto na descrição dos níveis de desempenho; diante disso, apresenta com mais simplicidade os requisitos que determinam as diferentes pontuações em cada um desses níveis.

Outras mudanças visam tornar a avaliação mais rigorosa. Agora bastam 100 pontos de discrepância nas notas dos dois avaliadores para que as redações sejam submetidas a um terceiro. Dentro de cada competência, um novo examinador será requisitado se a discrepância for maior do que 80 pontos. Ou seja, o aluno será avaliado pelo seu desempeno global e pelo modo como se sai em cada competência.

Outra novidade, mais ou menos esperada, diz respeito à forma como serão tratadas as redações que “contiverem brincadeiras, provocações ou algum outro tipo de inserção indevida (como receitas de macarrão ou hinos de clube)”. No ano passado, os textos que apresentaram esses despropósitos foram corrigidos, com a justificativa de que se devia “aproveitar” o que neles havia de bom.

A partir de agora, serão justificadamente anulados. Concorreu para essa decisão o depoimento dos próprios autores, que confessaram ter feito as brincadeiras para mostrar que as bancas davam notas nas redações sem as ler… Não era difícil desconfiar de uma intenção desse tipo. Quem faz o exame a sério, preocupado com a concorrência, não bagunça o texto com passagens que nada têm a ver com o tema proposto.

Um aspecto criticável do guia é que ele ainda considera opcional o título da redação. Esperava-se que, atendendo ao apelo de muitos professores, o título passasse a ser obrigatório. Ele é um componente, se não estrutural, arquitetônico do texto. Constitui uma prévia do que se vai ler. Envolve uma importante operação cognitiva, que é a de sintetizar o conteúdo apresentado.

O título dá ainda ao candidato a possibilidade de se mostrar criativo num texto, como o dissertativo-argumentativo, em que predominam o rigor e a objetividade. Frequentemente nos deparamos com títulos que são imagens (no sentido literário) ou comentários espirituosos mediante os quais o aluno complementa o seu ponto de vista. Diante disso, não é justo tratar da mesma forma quem põe título e quem não põe.

(Publicado originalmente em “Na ponta do lápis” – http://revistalingua.uol.com.br/textos/blog-ponta/o-guia-para-a-redacao-do-enem-296344-1.asp)