Não tema o trema

O uso do trema continua tirando pontinhos preciosos de candidatos a concursos. Tudo porque andaram espalhando por aí que esse tipo de acento não se usa mais. A verdade é que contaram só uma parte da história.

Houve de fato um trema que caiu. Isso desde 18 dezembro de 1971, quando o então presidente Emílio G. Médici sancionou a Lei n. 5765.

O trema abolido era o que aparecia nas vogais átonas dos hiatos. Por exemplo: para indicar que, na palavra “saudade”, o “a” e o “u” não fazem parte da mesma sílaba (formam hiato, e não ditongo), colocava-se o trema sobre o “u”. Escrevia-se então “saüdade”.

Esse trema caiu, mas não o que indica que o “u” é pronunciado nos grupos güe, güi, qüe, qüi. Sendo assim, evite escrever tranquilo (pronunciando “trankilo”), frequente (“frekente”), quinquênio (“kinkênio”), etc. Escreva tranqüilo, freqüente, qüinqüênio. 

A ausência do trema, nesses casos, leva a erro de pronúncia. Constitui, na linguagem da gramática, um barbarismo ortoépico. E quem, em sã consciência, deseja ser acusado de uma coisa dessas?