Evite o pleonasmo

“O excesso de poder nas mãos dos traficantes faz com que a políciadeclare uma guerra bélica contra eles, afetando civis e militares.” (Da redaçãode um aluno)

 

“Guerra bélica”? Haverá alguma que não o seja? Só se for entre amantes,conforme Machado refere naquele famoso capítulo de “Quincas Borba” em que oingênuo e apaixonado Rubião se declara a Sofia. Eis a passagem:

“A lua era magnífica. No morro, entre o céu e a planície, a alma menosaudaciosa era capaz de ir contra um exército inimigo, e destroçá-lo. Vede o quenão seria com este exército amigo.”

A guerra contra um “exército amigo”, que seria a amada a conquistar, pode até não ser rigorosamente “bélica” (e olhe lá, pois há muita paixão quetermina em sangue). Qualquer outra tem que ter a característica da belicosidade.

“Guerra” vem de “werra”, vocábulo alemão que na România ocidentalsubstituiu a forma latina “bellum” (Houaiss). Ou seja: o sentido de “luta”, “peleja”, “discórdia” está nas duas palavras, o que faz a expressão “guerrabélica” ser um pleonasmo.

O aluno deveria ter dispensado o adjetivo.