CESPE – Questões comentadas

 Questões elaboradas e comentadas por Chico Viana para o  SIMULADO CONCURSOS (5° SIMULADO CLDF / TST / MPU / TRF1)    

                                                                     Texto           

            A dificuldade de criar regimes democráticos em países árabes decorre de fatores históricos e culturais, mas se agrava hoje em dia em razão de dois aspectos. De um lado, existe um estado permanente de beligerância, pela vizinhança com Israel, o que tende a concentrar o poder nas mãos de um líder ou de um grupo. O constante clima de guerra, além do mais, torna prioridade o fortalecimento do Exército, do serviço de inteligência, da polícia secreta, da guarda nacional, instituições que também servem para conter aspirações populares malvistas pelos dirigentes. De outro lado, a comunidade árabe é dividida pela glória e pela desgraça do petróleo. Quem tem senta-se sobre ele. Quem não tem usa sua influência junto aos países ricos em petróleo para garantir investimentos e ajuda externa. Assim, tanto os com-petróleo quanto os sem-petróleo, excessivamente amarrados à dependência do capital externo, tendem a ignorar as demandas internas por maior participação popular. (Veja, 19 de setembro de 2001)

                    Julgue os itens seguintes quanto aos aspectos gramaticais do texto:

1. A locução “de fatores históricos e ambientais” (l.1-2) classifica-se sintaticamente como complemento verbal.  

CERTO – Essa locução constitui um objeto direto do verbo “decorrer”.

2. Estaria correta a concordância caso se substituísse “decorre” por “decorrem” (l. 1).

ERRADO – O verbo “decorrer” deve concordar com o núcleo do sujeito, que é “dificuldade” e se encontra no singular.

3. Em “a comunidade árabe é dividida pela glória e pela desgraça do petróleo” (l. 7-8), ocorre construção na voz passiva

CERTO – O sujeito “a comunidade árabe” sofre a ação, o que é uma marca da voz passiva. Na voz ativa, teríamos: “A glória e a desgraça do petróleo dividem a comunidade árabe.”

4. No período “Quem tem senta-se sobre ele” (l. 8), existe uma oração que exerce, em outra, função sintática de sujeito.

CERTO – A oração “Quem tem (petróleo)” responde à pergunta “quem é que se senta sobre ele”? Constitui, pois, sujeito dessa segunda oração.

5. Em “tanto os com-petróleo quanto os sem-petróleo” (l. 10), a partícula “os” exemplifica mudança de classe morfológica.

CERTO – Originalmente artigo (por determinar “os países”), essa partícula é no contexto pronome, pois retoma o termo “países”.

6. A construção “a comunidade árabe é dividida pela glória e pela desgraça do petróleo” (l. 7-8) pode ser transformada em “a glória e a desgraça do petróleo divide a comunidade árabe” sem que exista infração gramatical.  

ERRADO – A transformação para a voz passiva está correta, mas há um erro de concordância, pois o novo sujeito é composto e determina o verbo no plural (A glória e a desgraça do petróleo dividem a comunidade árabe)

7. Em “torna prioridade o fortalecimento do Exército” (l. 5), o termo “prioridade” pode ser substituído por “prioritário” sem que a sua função sintática se altere.

CERTO – A substituição do substantivo “prioridade” pelo adjetivo “prioritário” não altera a função sintática, que é de predicativo do objeto direto.

8. Na passagem “o que tende a concentrar o poder nas mãos de um líder ou de um grupo” (l. 3-4), o verbo auxiliar dá como certa a concentração de poder.

ERRADO – O verbo “tender” é um auxiliar modal indicativo de tendência, viabilidade, e não de certeza.

9. Caso se desenvolva a oração “para garantir investimentos e ajuda externa” (l. 9-10), o infinitivo “garantir” passa a “garantisse”.

ERRADO – A presença do verbo “ter” no presente (quem tem) dá a entender que a ação é certa e não hipotética. Logo, não cabe flexionar o verbo “garantir” no imperfeito do subjuntivo (Quem tem usa sua influência junto aos países ricos a fim de que garanta).

10. No trecho “tendem a ignorar as demandas internas por maior participação popular” (l. 11-12), “por maior participação popular” completa o sentido do substantivo “demandas”.

CERTO – O substantivo “demanda” relaciona-se com o verbo “demandar” e tem um pouco do caráter transitivo desse verbo. Logo, pede complementação. Se quem demanda, demanda alguma coisa, quem empreende uma demanda, empreende uma demanda por alguma coisa.

             Avalie as informações abaixo quanto aos aspectos coesivos do texto:      

11. Em “mas se agrava hoje em dia em razão de dois aspectos” (l. 2), é possível substituir o conectivo “mas” por “embora” sem alterar o sentido.

ERRADO – Tanto “embora” quanto “mas” introduzem enunciados que se opõem a outros. O detalhe importante é que “embora” (conjunção concessiva), introduz uma ressalva, enquanto “mas” introduz o enunciado que prevalece. Substituindo-se “mas” por “embora”, deixa-se de dar ênfase à informação de que a dificuldade de criar regimes democráticos se agrava em razão de dois aspectos.

12. As locuções “De um lado” (l. 2) e “De outro lado” (l. 7) articulam, por meio de coesão sequencial, argumentos que reforçam o ponto de vista do autor.

CERTO – Tais operadores introduzem os dois aspectos que, segundo o autor, agravam as dificuldades de criar regimes democráticos em países árabes.

13. O vocábulo “instituições” (l.6) estabelece coesão por anáfora, já que retoma expressões do texto.

CERTO – Na ocasião anafórica (ao contrário da catafórica), o elemento coesivo faz referência a termos mencionados. “Instituições” é um hiperônimo que retoma a sequência representada por “Exército”, “serviço de inteligência”, polícia secreta” e “guarda nacional”.

14. Na passagem “Quem não tem usa sua influência junto aos países ricos em petróleo para garantir investimentos” (l. 9-10), o pronome possessivo “sua” refere-se a “petróleo”.

ERRADO – O pronome possessivo “sua” retoma “Quem não tem”, que sintaticamente é um sujeito oracional e semanticamente designa, de modo indefinido, “o(s) país(e) que tem(têm) petróleo”

15. Em “o que tende a concentrar o poder nas mãos de um líder ou grupo” (l. 3-4), o monossílabo “que” retoma “Israel”.

ERRADO – A locução “o que” tem valor demonstrativo e retoma a ideia de que existe um estado permanente de beligerância devido à vizinhança com Israel

Julgue os itens a seguir no que se refere quanto ao tipo textual, à semântica e/ou aos aspectos lógicos do texto

16.  Em “a comunidade árabe é dividida pela glória e pela desgraça do petróleo” (l. 7-8) ocorre paradoxo, pois não se pode atribuir ao petróleo aspectos positivos e negativos.

ERRADO – Nessa passagem não há paradoxo, mas antítese. “Glória” e “desgraça” são atribuídas não a único grupo, mas a dois grupos de países diferentes – o dos que têm e o dos que não têm petróleo.

17. Na passagem “Quem tem senta-se sobre ele” (l. 8), o verbo “sentar-se” está usado em sentido conotativo.

CERTO – A ideia de sentar-se não é literal. Refere-se à postura confortável, autossuficiente e cuidadosa dos países que têm petróleo.

18. No texto, alternam-se os tipos textuais descritivo e narrativo, pois o emissor detalha a situação em que se encontram os países árabes e faz um histórico do que aconteceu para que chegassem a ela.

ERRADO – O texto é basicamente argumentativo, pois veicula uma tese sobre a dificuldade de criar regimes democráticos em países árabes e apresenta argumentos para defendê-la.

19. Sugere-se que os anseios populares encontram receptividade entre os governantes, pois visam à resolução de um problema comum, que é a falta de petróleo.

ERRADO – O fortalecimento dos órgãos de segurança e controle, decorrente do clima de beligerância propiciado pela vizinhança com Israel, tende a conter as aspirações do povo.

20. Na primeira oração do texto não há mudança de sentido caso se opte pela seguinte ordem: “Decorre de fatores históricos e culturais a dificuldade de criar regimes democráticos em países árabes”.

CERTO – A inversão do predicado em relação ao sujeito não altera o sentido da frase.

 

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