Para escrever bem

Evite períodos longos

Os períodos podem confundir quem escreve e, seguramente, tornam bem mais difícil a leitura. Exemplo: “Embora os funcionários protestassem, o diretor resolverpunir os quem faltarem ao trabalho por mais de três dias, pois essetipo de comportamento pode constituir péssima influência para osassíduos”.   Desmembrado em três, esse período torna-se mais claro e legível: "Os funcionários protestaram, mas o diretor permaneceuinflexível. Resolveu punir quem faltar ao trabalho por mais de trêsdias. Esse comportamento, segundo ele, pode constituir péssimainfluência para os assíduos”.

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Não relaxe a ortografia

A correção ortográfica é um importante requisito para a boaredação. Não se deve relaxar quanto a isso; erro de ortografia todoprofessor nota. Ninguém merece perder uns décimos preciosos porquetrocou um s por um z, um x por ch, e assim por diante.    Que palavras mais se erram na redação? Nos meus arquivosconstam dezenas delas. Seguem algumas das mais comuns:   – “julgo” e “subjulgar” em vez de “jugo” e “subjugar”. “Jugo” é opressão, submissão, e “subjugar” alguém é oprimi-lo. Geralmente, quando pretendem usar essas palavras, os alunos as trocam “julgo” (do verbo “julgar”) e por “subjulgar”, que não […]

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Seja prudente no uso de metáforas

Vez por outra os alunos me perguntam se é proibido usar metáforas nadissertação. Proibido não é, mas não se recomenda. A metáfora constitui um desviosemântico, um modo de dizer que extrapola os limites da linguagem informativa oureferencial.   Geralmente quem a produz busca expressar estados afetivos e emocionais, dizendo coisas do tipo: “Você é uma luz nas sombras da minha vida” (isso é apenas umexemplo, não um modelo!). Não é esse o objetivo do texto dissertativo. Dissertar é expor com objetividadeopiniões sobre determinado aspecto da realidade. Por ela se mede o poderargumentativo do aluno, que deve manifestar com rigor seu ponto de vista. A metáfora exige imaginação e domínio linguístico. Como ela é uma imagem, deve funcionar tanto por seu conteúdo quanto por sua forma. De metáforas a línguaestá cheia (no sentido literal e metafórico), e a fonte que as renova é por excelência otexto poético – não o texto em prosa. Isso não quer dizer que a dissertação escolar deva ser incolor, insípida, pobreem expressividade. Como os conceitos existem a partir do mundo real, mesmo opensamento abstrato precisa de elementos concretos para se formular. São bem-vindas as metáforas que concretizam noções abstratas e dão suportee vigor ao pensamento. Quando se fala em “eixo da argumentação”, “umbigo doproblema”, “franja do raciocínio”, estão-se usando metáforas desse tipo. Elas não sãopoéticas, são funcionais. Outro dia, numa dissertação sobre as incertezas da adolescência, um de meusalunos referiu-se à “antessala do medo”. Nada mais próprio para sugerir ansiedade,ameaça futura, do que essa imagem de uma antessala a separar o perigo real da ideia (ou do temor) que se tem dele.   Metáforas como essa não constituem nenhum despropósito.

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Evite lacunas entre as ideias

Trecho da redação de um dos nossos alunos:   “O mundo tem passado por uma revolução nas comunicações. Surgiu otelégrafo, o telefone, a internet. Parecia que tais invenções iriam melhorar as relaçõesinterpessoais. Contudo, ocorreu o oposto e, hoje, as crianças têm medo até dospais.”   Lido o parágrafo, o leitor perguntará: que tem a ver a revolução nascomunicações com o temor das crianças aos pais? A redação era sobre o caso Isabella e, por extensão, sobre a violência perpetrada contra crianças por membros da família.   O pensamento do aluno era mais ou menos o seguinte: como a mídia vem expondo exaustivamente o assunto, as crianças se informam desse tipo de violência e chegam a temer os próprios pais. Por isso os meios de comunicação não melhoraram as relações entre as pessoas.   Esse nexo, porém, não foi explicitado na redação. Uma forma de suprir a lacuna entre ideias seria o aluno redigir assim o último período:   “Contudo ocorreu o oposto, e hoje a mídia expõe intensamente a violênciade familiares contra as crianças, que têm […]

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Dê um titulo ao seu texto

O título é um componente importante da redação. As bancas de vestibularesdeixam um espaço para ele e punem quem se esquece de intitular o texto. A puniçãotem que existir. Não é justo desconhecer o esforço de quem procura, por meio de umafrase sintética e abrangente, resumir o conteúdo do que escreveu. Tecnicamente, o título é a frase que se põe acima do texto. Pode consistir numresumo ou destacar algum componente que o candidato ache interessante,original. Embora exista quem escreva logo o título para utilizá-lo como guia, éaconselhável que ele seja dado depois de pronta a redação. No texto jornalístico, o título é objetivo. Constitui uma espécie de resumo da notícia, do artigo, da resenha, e pode ser complementado por subtítulos queos ampliam ou interpretam. O título, enfim, condensa o posicionamento do aluno sobre o tema.  Por vezesindica uma atitude, uma reação, um juízo. Ele só é dispensado nos gêneros em que não pode haver acréscimos ao original, como o resumo, e nos […]

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Evite o gerundismo (endorreia)

Por gerundismo (ou endorreia) entende-se o uso abusivo do gerúndio. Ele se manifesta de várias formas; uma das mais comuns nas redações dos vestibulandos é quando o gerúndio vem “pendurado” no fim da frase e o aluno não tem o cuidado de explicitar o seu sujeito. Essa omissão torna o enunciado ambíguo e por vezes incoerente. Exemplo disso encontra-se […]

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Prefira a linguagem denotativa

Geralmente o vestibular quer que o aluno se posicione sobre um tema e defenda seu ponto de vista com argumentos. Isso impõe que a redação seja escrita numa linguagem objetiva, transparente, comprometida com o rigor da informação. Nesse tipo de discurso, é um risco o uso de metáforas ou de outros procedimentos que tornem ambíguo o sentido. A metáfora constitui um desvio semântico, um modo de dizer que extrapola oslimites da linguagem denotativa […]

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Faça guerra ao ondismo

O ondismo é o uso inadequado do advérbio relativo “onde”. Ele aparece nesta frase de um dos nossos alunos: “De tudo que ele me ensinou, essa foi a maior lição, onde a alegria torna oimpossível em possível.” Geralmente o mau emprego do “onde” provoca uma falha de coesão, ou seja, uma quebra na unidade estrutural e semântica do discurso. A frase acima é obscura, entre outras razões, porque não sabemos a quem ou a quê o “onde” se refere. O uso […]

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Seja conciso

Escrever bem é dizer “mais com menos”, e não “menos com mais”. Da concisão, e não do excesso, nasce a clareza. Vale a pena meditar neste conselho de Moacyr Scliar em artigo para o “RedaçãoVestibular 2009”, da Editora Abril: “Aprendi a ser sintético. Talvez tenhamos muita coisa a dizer num texto, mas aspessoas não têm todo o tempo do mundo para ler. Se for o caso, temos de cortar. (…) Se aquilo que a gente escreveu não está bom, o jeito é deletar – ou apagar – e começarde novo. Sempre melhora. Sempre.”   Voltaire, o filósofo iluminista, pensava a mesma coisa. Certa vez ele escreveu a uma de suas correspondentes um texto muito longo, e terminou com este fino apelo: “Desculpe-me se a carta ficou longa. Não tive tempo de fazê-la curta”.   Lição: […]

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Seja preciso

Escrever bem é ser preciso. Afirmações genéricas podem parecer superiores, às vezes “filosóficas”, mas prejudicam o nível informativo do texto. Expressões como “o ser humano”, a “realidade moderna” ou “os efeitos daglobalização” constituem generalizações que não dizem nada sobre o segmento a queo redator quer se referir. Não custa substituí-las por noções concretas, que deixemclaras as referências feitas pelo autor. Um exemplo de generalização, e conseqüentemente de ineficiência expressiva, encontra-se no trecho a segui (retirado da redação de um dos nossos alunos): “A atualidade fornece várias facilidades à vida do homem e muitas opções quedesestimulam o hábito da leitura. Isso é observado com irrelevância por alguns; comsignificantes seqüelas.” Vejam que o parágrafo está carregado de imprecisões. O que vem a ser “aatualidade”? A que “facilidades” o estudante se refere? Quais “opções” desestimulam ohábito da leitura? Além do mais, o segundo período está obscuro devido à má ordem e à imprecisão vocabular. Outro seria o efeito se o aluno tivesse escrito, por exemplo: “A vida moderna traz ao jovem facilidades como o computador, o iPod, o MP3,que tendem a desestimular o hábito da leitura. Alguns consideram irrelevante essefenômeno, mas ele pode ter significativos efeitos.”

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