Para escrever bem

Evite o pleonasmo

“O excesso de poder nas mãos dos traficantes faz com que a políciadeclare uma guerra bélica contra eles, afetando civis e militares.” (Da redaçãode um aluno)   “Guerra bélica”? Haverá alguma que não o seja? Só se for entre amantes,conforme Machado refere naquele famoso capítulo de “Quincas Borba” em que oingênuo e apaixonado Rubião se declara a Sofia. Eis a passagem: “A lua era magnífica. No morro, entre o céu e a planície, a alma menosaudaciosa era capaz de ir contra um exército inimigo, e destroçá-lo. Vede o quenão seria com este exército amigo.” A guerra contra um “exército amigo”, que seria a amada a conquistar, pode até não ser rigorosamente “bélica” (e olhe lá, pois há muita paixão quetermina em sangue). Qualquer outra tem que ter a característica da belicosidade. “Guerra” vem de “werra”, vocábulo alemão que na România ocidentalsubstituiu a forma latina “bellum” (Houaiss). Ou seja: o sentido de “luta”, “peleja”, “discórdia” está nas duas palavras, o que faz a expressão “guerrabélica” ser um pleonasmo. O aluno deveria ter dispensado o adjetivo.

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Não confunda os conceitos

“Enquanto uns vivem em condições de vida precárias, outros vivem em uma civilização politicamente correta, com educação e saúde.” (Da  redação de um aluno) Mistura de ideias, conceitos, definições compromete a coerência do texto. Na passagem acima o estudante pretendeu estabelecer um contraste entre a realidade social dos países subdesenvolvidos e a dos desenvolvidos. Não conseguiu fazer […]

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Evite argumentos vagos e genéricos

“Se todos forem atingidos por algum tipo de preconceito, o mundo vai se tornar atrasado e as pessoas vão viver em depressão, o que tornará o planeta um verdadeiro caos.” (Da redação de um aluno)   O argumento de consequência, como o nome diz, é aquele que defende determinado ponto de vista visando aos efeitos que […]

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Conteste ideias, não pessoas

Pedi aos alunos que comentassem o ponto de vista do pesquisador Richard Lynn sobre ateísmo e religiosidade. Um deles começou o texto assim: “Em entrevista à revista Época, o pesquisador britânico Richard Lynn afirmou que os ateus são mais inteligentes que os religiosos e que no Brasil o baixo número de ateus se deve à […]

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Não fuja ao tema

             Fugir ao tema é talvez o pecado mais grave na redação. Dá a entender que oaluno não compreendeu a proposta da banca ou trouxe um texto pronto de casa.   A professora Maria Thereza Fraga Rocco, da Fuvest, chegou a cunhar umacuriosa expressão para nomear as redações que não apresentam erros de gramática,ortografia, coerência ou coesão, mas fogem ao tema: zero sofisticado.   O termo “sofisticado” é apenas um consolo, pois não se traduz em nenhumbenefício para o estudante. O zero sofisticado é zero mesmo. Reprova. Por isso o alunodeve ler com muita atenção o(s) texto(s) de suporte (que acompanham o tema), a fimde entender com clareza o que a banca espera dele.   Se o tema é “prostituição infantil”, não vá misturá-lo com a exploração dosmeninos de rua pelos pais. Se é “gravidez na adolescência”, não deve confundi-lo comeducação sexual nas escolas.   A menção a um assunto correlato é válida desde que seja eventual e,sobretudo, apareça para reforçar determinado ponto de vista. Pode-se, por exemplo,apresentar a falta de educação sexual como uma das razões para a gravidez naadolescência.

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Fique atento à coesão e à coerências textuais

Falhas de coesão e coerência comprometem a unidade lógica do texto, por isso as bancas concedem atenção especial a esse tipo de problema. Observam, por exemplo, se o aluno é capaz de utilizar adequadamente os conectivos. Exemplos do mau uso de elementos coesivos encontram-se nos fragmentos abaixo, que retirei de algumas redações: 1 – O avanço tecnológico, além de suas vantagens e […]

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Evite as inadequações vocabulares

Um dos problemas mais comuns nas redações dos vestibulandos é o uso inadequado dos vocábulos.  Ele ocorre por vários motivos, entre os quais a semelhança ou igualdade de sons entre as palavras. Veja abaixo alguns casos, com a forma correta entre parênteses: – “Infortuosamente, nenhum dos três ganhou o prêmio.” (infortunadamente) – “É preciso evitar o […]

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Mantenha o paralelismo sintático e semântico

A quebra do paralelismo sintático ocorre quando elementos coordenados apresentam estruturas diferentes. Como na coordenação os componentes têm omesmo valor, eles devem se apresentar com a mesma forma.   Eis um exemplo, retirado da redação de um dos nossos alunos: 1) “Aindahá os que possuem problemas em casa ou de relacionamento e, em vezenfrentá-los, se escondem atrás do álcool.” As expressões “em casa” ou “de relacionamento” estão ligadas pelaconjunção coordenativa alternativa “ou”. Deveriam por isso apresentar a mesmaestrutura.   No entanto o aluno utilizou de forma caótica as preposições “em” e “de”, coordenando respectivamente uma locução adverbial de lugar (“em casa”) e uma locução adjetiva (de […]

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Não tenha medo de expressar sua opinião

Uma dúvida comum entre os vestibulandos é quanto à liberdade de expressar suas ideias na dissertação. Eles temem que a banca não concorde como que pensam sobre determinado assunto. Alguns, por conta desse temor, chegam a omitir o que acham de temas polêmicos como o aborto ou a inseminaçãoartificial.   Esse tipo de receio não tem nenhum fundamento. Os corretores não estão interessados no que você pensa, e sim na forma como expressa e, sobretudo, defende seu ponto de vista.   Você é livre para opinar. O único limite a essa liberdade são as opiniões que incitam ao ódio entre indivíduos ou nações, revelam preconceito contra as minorias ou agridem os direitos humanos. Como a escola […]

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Não faça intercalações longas entre o sujeito e o predicado

          Evite intercalações longas entre o sujeito e o predicado. Um de nossos alunos não observou isso na seguinte passagem:                     O hábito de comer pipoca e abrir latinhas de guaraná no cinema, esimulado peos donos de lanchonetes, que não têm consciência das calorias contidas nesses alimentos, incomoda os que se concentram no filme.         […]

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