Augusto dos Anjos

Tristeza e ironia em Augusto dos Anjos

Melancolia e ironia não são polos antagônicos, mas complementares. De modo geral, só restam ao melancólico duas saídas: sucumbir à sua dor ou aceitá-la, às vezes ultrapassando-a, por meio da postura irônica. Machado de Assis é um bom exemplo disso. Outro é Augusto dos Anjos. No poeta paraibano é mais difícil perceber-se a ironia, pois […]

By Chico Viana | Augusto dos Anjos . Escritos
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Para Augusto dos Anjos (soneto)

  Perscrutando com afã a Natureza, viste no homem a espécie corrompida,      e para resgatar sua nobreza    deste-lhe a Dor como única saída.   Depois, entre razão e desvario  (e mais aprofundando a tua lupa), viste na carne, esse algoz sombrio,     o motivo maior da sua culpa.   Mas quando, por efeito […]

By Chico Viana | Augusto dos Anjos . Escritos
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Última revelação (os derradeiros momentos de Augusto dos Anjos)

A febre não passava. Vinha com calafrios, tosse, dores nas costas. Bem que não deveria ter comparecido ao enterro de João Lourenço Ferreira de Lacerda. Chovia muito, e ele já estava gripado. Ester o prevenira de que poderia contrair pneumonia ou coisa pior. Tinha consciência de que se arriscava, mas não poderia deixar de prestigiar […]

By Chico Viana | Augusto dos Anjos . Escritos
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Augusto dos Anjos e a hipótese da reencarnação

                                                                                                              […]

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“Vandalismo”

“Vandalismo” é o único poema com características simbolistas que aparece no “Eu”. Os outros o poeta deixou de lado, e os críticos hoje lhe dão razão: embora tecnicamente bem-feitos, eles pouco acrescentam à obra do paraibano. Refletem uma temática comum à época e apresentam um estoque de imagens que estão longe de caracterizar o Augusto […]

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O oposto da hipérbole

Como a hipérbole constitui um exagero, e o eufemismo uma atenuação, costuma-se afirmar que uma representa o contrário do outro. Não é bem assim, pois essas figuras pertencem a áreas diferentes. A hipérbole diz respeito ao “pathos” (paixão), enquanto o eufemismo se relaciona com o “ethos” (caráter). Quem produz uma hipérbole o faz abalado por […]

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Uma reedição oportuna

Por mais que a obra não seja um reflexo direto do autor, é grande a tendência de se confundir uma com o outro. Isto se aplica particularmente a um poeta como Augusto dos Anjos, cujas idiossincrasias pessoais e literárias sempre despertaram curiosidade nos que estudam ou simplesmente apreciam seus poemas. O pessimismo, a morbidez, a […]

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Revisitando Augusto dos Anjos

Quando surgiu, em 1912, o Eu foi recebido como um livroestranho e singular. Não é verdade que ele tenha sido rechaçado, oumesmo ignorado, por críticos e leitores comuns. Pelo contrário,mesmo quem se surpreendia com a sonoridade áspera e o vocabuláriopor vezes impenetrável de Augusto do Anjos percebeu naquelesversos as marcas de uma poesia vigorosa e, a seu modo, bela – masnão da beleza fluida e cristalina dos parnasianos. Influenciado porBaudelaire, o paraibano incorporava ao seu território poético o feio e o degenerado. Cantava “de preferência o horrível”, como se desejasse opor à nossa risonha belle époque um esgar macabro:   (…) Como Beleforonte com a Quimera Mato o ideal; cresto o sonho, achato a esfera E acho odor de cadáver na fragrância! (“Aberração”)   Era difícil incluir o autor em alguma corrente estética. O Eusurgiu num momento em que Parnasianismo e Simbolismoconviviam, mas a rigor não se filia a nenhum desses estilos. Os historiadores terminaram incluindo-o no Pré-Modernismo, já que eleconstitui uma ponte entre os simbolistas e […]

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A pedagogia da dor (Antonio Carlos Secchin)

Prefácio a “O evangelho da podridão”   A obra de Augusto dos Anjos tem-se constituído num dos mais persistentes desafios aos estudiosos de nossa literatura. Seu caráter personalíssimo acabou propiciando abordagens que, muitas vezes, não levaram na devida conta a especificidade da matéria poética, descambando para abstrusas tentativas de “compreensão” da psicologia (ou “patologia”) do […]

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“Juventude, divino tesouro” (Antônio Carlos Villaça)

    Apresentação a “O evangelho da podridão”     “Juventud, divino tesoro”, cantou o poeta nicaraguense Rubén Darío e Manuel Bandeira gostava de repetir. No seu discurso de 25 de agosto de 1947, a que assisti (eu tinha 18 anos), sobre o Itinerário de Pasárgada, repetia comovidamente a exclamação de Darío. Leio o ensaio oportuno e […]

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