Carta ao editor (Ana Paula Prado Conde)

João Pessoa, 23 de setembro de 2011

Senhor Editor:

Após ter lido a reportagem publicada por essa revista, fiquei muito interessada pelo tema da alienação da atual juventude. É inegável que os adolescentes de hoje parecem viver em um mundo paralelo, alheios aos acontecimentos da sociedade e a assuntos cada vez mais recorrentes, como a ecologia, a violência e a corrupção. No entanto, apesar de muitos jovens ainda estarem mais preocupados em passear nos shoppings e monitorar a vida alheia na Internet, fatos recentes mostram que nem todos são acomodados e passivos.

A “Marcha contra a corrupção”, por exemplo, iniciada em setembro, deste ano, levou milhares de brasileiros às ruas. Com narizes de palhaço e vassouras, os manifestantes protestavam contra a impunidade e expressavam o desejo de “varrer” os corruptos. Tais protestos foram organizados pelos jovens através das redes sociais; isso mostra que, tal como ocorreu na Primavera Árabe, uma parcela da juventude passou a usar sites como Facebook e Twitter para se engajar em causas que exigem mais democracia e honestidade dos governantes.

Outro fato que também envolveu membros da juventude brasileira foi a manifestação dos estudantes da USP, ocorrida há poucos dias. É claro que tal protesto teve motivações bem distintas das vistas na Marcha, já que envolveu violência desnecessária e a defesa do consumo de drogas. Todavia, tirando esses aspectos, o protesto deixou bem visível a motivação que os adolescentes, até mesmo os “riquinhos”, possuem quando se trata de lutar pelos seus propósitos. Talvez a juventude esteja mais engajada do que costumamos pensar.

É preciso ainda que muitos jovens adquiram consciência e deixem de lado a alienação. Contudo, os adolescentes já deram provas de que podem usar as tecnologias de seu tempo em prol de suas reivindicações, divulgando ideias e protestando. Diante dessa mudança de comportamento, cabe aos mais velhos em vez de criticá-los, considerando-os uma geração alienada, ensiná-los a lutar baseados em valores morais e éticos. Afinal, é com uma juventude politicamente correta e socialmente engajada que o país construirá um futuro melhor.

Atenciosamente,

A. P. P. C.

Ana Paula Prado Conde (Extensivo 2011)