A ética, o individuo e a nação (André B. Coelho de M. Freire)

Quando se fala em Brasil no exterior, vêm à cabeça, além do futebol e do carnaval, o jeitinho brasileiro e o personagem Zé Carioca, de Walt Disney. Esses dois últimos representam vergonhosamente o país lá fora e refletem a ética desviada da maior parte dos brasileiros.

A família e a escola devem orientar o cidadão, desde cedo, a seguir o caminho da retidão em suas ações. No entanto isso não ocorre; ao tolerar práticas como a cola, a escola ensina o oposto do que propõe em seu discurso fundamentado na ética. Ao perceber que os que colam obtêm vantagens e raramente são punidos, os alunos tendem a relegar a segundo plano o discurso hipócrita da escola. Isso leva a uma inversão de valores. Segundo Lya Luft, “achando bonita a ignorância eloquente, engraçado o cinismo bem-vestido, interessante o banditismo arrojado”, o país tende a enaltecer certos defeitos e com isso os alimenta.

Além de buscar seguir a ética em suas ações, cada um tem de ser mais crítico e menos tolerante à conduta antiética de muitos dirigentes do país. Da quebra do decoro parlamentar aos esquemas de corrupção, nada deve ser isto como aceitável, tampouco natural. O pensamento do “eles são todos corruptos” deve ser evitado, pois faz parecer que a corrupção é tão difundida que tem de ser aceita como realidade irreversível. Deve-se seguir o modelo de sociedades mais modernas, como a da Inglaterra, onde ao menor sinal de irregularidades os responsáveis por elas deixam seus cargos espontaneamente.

O Brasil tem muito a avançar no que tange à ética. A retidão de comportamento  precisa vir de cada cidadão; para isso, a escola e a família devem instruir desde cedo os pequenos a ter a ética como norte de suas ações. Dessa forma, o Brasil será respeitado mundialmente e a sociedade ganhará integrantes mais comprometidos com o desenvolvimento do país.

(Extensivo 2011)