De 4 a 28 de dezembro, o Curso Chico Viana procederá a uma revisão destinada aos candidatos que vão se submeter à 2ª etapa dos vestibulares da USP (Fuvest) e da Unicamp. A revisão constará de treinamento redacional (dissertação e gêneros textuais) e interpretação de textos (retirados das obras indicadas para ambas as instituições). O enfoque interpretativo enfatizará, conforme determinam os programas, os recursos de linguagem e o contexto social em que as obras foram produzidas.

          Poderão participar da revisão os alunos do curso que quitaram a mensalidade de novembro e o público em geral (nesse caso mediante a quantia de $250,00, pagos no ato da matrícula). As aulas ocorreão às segundas e quintas-feiras. 

                                                                                    FUVEST

           O treinamento redacional para as referidas instituições difere, por exemplo, do que é feito para o Exame Nacional do Ensino Médio. Na Fuvest se exige o texto dissertativo-argumentativo, mas a proposta de intervenção não é obrigatória. O aluno pode apresentá-la inclusive ao longo do texto e sem o rigor com que ela deve aparecer na redação do Enem (agente, ação, efeito). Como não se exige tal esquematização, que tende a se transformar numa fórmula, o candidato tem mais liberdade para expressar seu pensamento. O importante é que mantenha o domínio do tema e observe os requisitos de coerência e coesão.

          A Fuvest tende a pedir temas mais filosóficos ou subjetivos, mas é importante que o candidato não caia nas armadilhas da generalização e do confessionalismo. Ele não deve se alhear da realidade concreta. No vestibular passado, por exemplo, o tema foi: “O homem saiu de sua menoridade?”. Para desenvolvê-lo, com o auxílio dos textos motivadores, o candidato deveria ancorar a ideia de “minoridade” em comportamentos perceptíveis de submissão às ideias dos outros, discuti-los e propor formas de o homem chegar ao que Kant chama de Esclarecimento (um conceito que embasa o Iluminismo). 

          A Fuvest costuma pedir que o candidato dê título a sua redação. Aconselhamos que isso seja feito mesmo que não haja uma exigência explícita.

                                                                                    UNICAMP

           Diferentemente da Fuvest, que pede a dissertação-argumentativa, a Unicamp exige do aluno a produção de dois textos de gêneros diferentes. Ele deve então conhecer as características formais e estruturais de cada um (carta argumentativa, notícia, reportagem, resenha, síntese, comentário da internet etc.). Uma resenha, por exemplo, não se confunde com uma síntese (resumo). Um fragmento de reportagem nada tem a ver com um artigo de opinião.

          É fundamental observar o gênero solicitado e atender à proposta temática, que se apoia numa coletânea da qual o candidato pode extrair tópicos importantes para o desenvolvimento do texto. Outra exigência importante diz respeito ao interlocutor, ou destinatário, que num gênero como a carta determina o tipo de linguagem utilizado (não se escreve a uma autoridade e a um amigo da mesma forma).

           Eis os temas pedidos pela Unicamp nos três últimos vestibulares:          

2017 – Uma carta argumentativa sobre a imigração no Brasil; artigo sobre uma campanha publicitária

2016 – Resenha de uma fábula de La Fontaine; artigo de divulgação de um texto científico sobre indução de emoções

2015 – Carta para convocar pais de alunos a um debate sobre violência nas escolas; síntese sobre recursos tecnológicos para humanizar atendimento na área da saúde