O ano de 2009 marcará os 15 anos da publicação do livro “A origem das Espécies”, de Charles Darwin. Durante o anúncio de uma conferência de cientistas, filósofos e teólogos que ocorrerá em Roma nessa data, o arcebispo Gianfranco Ravasi, ministro da Cultura do Vaticano, afirmou que a teoria da evolução é compatível com a Bíblia. A Santa Sé, porém, “não planeja um pedido de desculpas a Darwin” pela fria recepção dada a sua obra quando foi publicada.
Essa atitude evidencia uma tendência que as igrejas cristãs têm assumido nos últimos anos. Recentemente, a Igreja Anglicana, em que Darwin foi batizado, desculpou-se oficialmente pelo que chamou de “mal-entendido”. João Paulo II, em 1992, perdoou Galileu depois de séculos da morte dele, abrindo-lhe enfim as portas do Paraíso. Agora, Ravasi complementou a conciliação, mas não a completou. Se a Igreja prega o perdão e a generosidade, um pedido de desculpas ao cientista britânico seria um ato cortês. A recusa em fazê-lo não condiz com os valores cristãos.
A divergência entre os pensamentos religioso e científico é clara, e tentativas de conciliação como o discurso do arcebispo Ravasi fatalmente resultarão em contradições. A Igreja deve se ocupar com seus assuntos e deixar os científicos por conta da ciência. Confirmando a tese de que toda regra tem exceção, religião e ciência são opostos que não se atraem.
Daniel W. Cavalcanti de A. Pedrosa (turma intensiva – noite)