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Os índices de criminalidade aumentaram muito, nos últimos anos, no Brasil. Num movimento social inesperado, cada vez mais jovens das classes média e alta vêm praticando ações criminosas, por razões que vão de problemas familiares ao gosto pela glamourização do crime.
É cada vez maior o envolvimento de jovens bem-nascidos com o tráfico e o consumo de drogas. Alguns chegam, inclusive, ao absurdo de substituírem o conforto e o luxo de suas residências pela vida arriscada e marginalizada em favelas e morros. Vivem e arriscam-se como marginais, e se auto-infligem o fim trágico dessa trajetória: cadeias superlotadas ou a morte – por overdose de drogas ou em confrontos com a polícia.
Várias são as causas apontadas para isso. A ausência de valores morais, fruto da desestruturação familiar, talvez seja a mais significativa delas. Em muitas famílias com bom padrão financeiro, vêem-se pais, por excesso de trabalho ou outras ocupações, ausentes e despreparados para a formação moral dos filhos. Estes, por falta de amor e reprimendas, crescem sem referências éticas e noções de limites.
Muitos, por vazio ideológico, encontram no tráfico e no consumo de drogas a forma mais acessível e atraente de transgredir – às vezes buscando incluírem-se ou destacarem-se no meio social. Nesse “mal-estar da classe A”, vêem-se pais ausentes, impotentes e perplexos diante dos filhos transgressores ou reféns das drogas e do crime.
Soluções como o incentivo aos estudos ou à prática de esportes não são – ou são menos – necessárias. Disso eles já desfrutam. É necessário repensar padrões e princípios morais cultivados em família – uma medida que não envolve dinheiro, mas amor e cuidado com os filhos. Eles precisam de carinho, atenção, vigilância e presença dos pais na formação de suas personalidades. Caso contrário, muitos “mauricinhos” e “patricinhas” continuarão presas fáceis do submundo do crime – e do vazio existencial.
Alinne Urquiza |