MINIANTOLOGIA O FINO DA PROSA
Gonzaga Rodrigues
02/04/2010
 

        O rumor da chuva confunde o sono do homem, despertando-o antes da manhã. Ele acorda sem saber se chove fora ou nele. Pior ainda: se é a chuva ou ele mesmo quem chove. Sente-se úmido, aquoso, de uma molhadeira que vem menos de fora do que de pejadas nuvens interiores.

         Em certos casos a chuva tem disso – faz a gente se inundar de nós mesmos, o inverno de dentro bem mais frio e nostálgico que o de fora.

        O homem se encolhe como se quisesse reverter à antiga posição de nascituro. Quanto mais se apega ao lençol mais interiormente se descobre. Sem dúvida é ele quem está molhando a natureza. Quem está rumorejando no telhado. Quem está chovendo.

 

 

 

 
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