Segundo matéria publicada no portal Guia do Estudante, o Inep (Instituto de Estudos Educacionais Anísio Teixeira) não vai mudar os critérios de correção da Competência 5 (que trata da proposta de intervenção social para o problema abordado) na versão do Enem 2017. Há algum tempo surgiu na internet o boato de que a banca exigiria que o aluno apresentasse uma proposta central e detalhada, descartando outra(s) que porventura houvesse.

          O portal desmente esse boato e cita, a propósito, a diretora de Avaliação da Educação Básica do Inep, Luana Bergmann Soares: “Os critérios para a correção da Redação do Enem não mudaram, apenas estão mais claros para os avaliadores. Em breve será publicada a versão 2017 da cartilha do participante a fim de auxiliar na preparação para o Exame”, informou.

          A permanência dos critérios foi confirmada por corretores consultados pelo Guia do Estudante que participaram desse treinamento e de anteriores. Segundo eles, “apenas foram explicitados aspectos essenciais a serem observados em cada competência para obter a nota máxima, como em treinamentos anteriores, sem anúncio de novidades ou mudanças.” (Leia a matéria em https://guiadoestudante.abril.com.br/blog/redacao-para-o-enem-e-vestibular/inep-afirma-que-mantera-criterios-das-notas-para-redacao-do-enem/)

          Diante disso, deve-se continuar treinando a redação conforme os critérios antigos. Embora não sejam os ideias, eles são mais sensatos do que os que aparecem nas propagadas (e desmentidas) mudanças.

          Exigir que o aluno apresente uma única proposta  (ou seja, que se limite a um único procedimento) significaria também limitar o ponto de vista e reduzir a amplitude da argumentação. Isso porque a proposta de intervenção social, conforme a última versão do Guia do Participante, “deve considerar os pontos abordados na argumentação. A proposta deve manter um vínculo direto com a tese desenvolvida no texto e demonstrar coerência com os argumentos utilizados, já que expressa a visão (do candidato), como autor, das possíveis soluções para a questão discutida” (Guia do participante, p. 24).

         Suponhamos que, numa redação sobre o bullying, o aluno defenda a tese de que esse tipo de prática decorre da frouxa disciplina escolar e da falta de orientação na família. Ele tratará, no Desenvolvimento, de provar isso com fatos, razões, exemplos, estatísticas etc. Na Conclusão, deverá propor medidas que devem ser adotadas tanto pela escola quanto pela família. Não pode se limitar apenas a um desses agentes sociais, por mais detalhada e completa que seja a proposta apresentada. Se fizer isso, deixará de contemplar um dos tópicos pelo qual optou em sua tese e que foi discutido na argumentação. Qual o sentido de discutir, argumentar, e não encaminhar no parágrafo conclusivo uma sugestão para que o problema se resolva?

         A ênfase detalhada numa proposta única, além do mais, dá a entender que se espera do candidato uma habilidade especial para resolver problemas que há muito desafiam a nação. Supõe que ele seja um técnico, um perito. Do ponto de vista textual, esse direcionamento tende a privilegiar o aspecto descritivo numa produção que é basicamente argumentativa.

         O que se espera do candidato, além de compreender bem o tema e discuti-lo com o domínio do pensamento e da linguagem, é que ele traga propostas pertinentes, exequíveis (ou seja, executáveis) e sobretudo relacionadas com o que argumentou.