ESCRITOS FALOU E DISSE
Papo cabeça
18/05/2010
 

- Eu soube que você tem lido muito. É verdade?

- É verdade, sim. Quero decifrar o enigma da vida.   

- Como aquele rei tebano. Qual é mesmo o nome dele...

- Aquele que gostava “demais” da mãe? A coisa ficou em segredo, até que veio um alemão e a revelou pra todo o mundo. O pobre do rei ficou com complexo e saiu por aí, caminhando, com os pés inchados. Também não lembro o nome dele.  

- Édipo! E o alemão foi o Freud, aquele que só pensava em sexo. O homem era tão pra frente que diante dele todo o mundo se sentia recalcado, inferior.  

- Também pudera! Ele era um gênio do porte de Newton ou...

 - Newton foi o da maçã, não foi? Dizem que uma maçã caiu na cabeça dele, jogada por uma sobrinha que ia fazer vestibular, e como vingança ele inventou uma lei que deixa sem graça qualquer estudante -- a lei da gravidade. Experimente dizer “mecânica newtoniana” na frente de um aluno do segundo grau. Ele fica sério e treme nas bases. Tudo por causa daquela sobrinha.

- Pior foi Einstein, que desprezava o ser humano.  

- Ué, quem desprezava não era Schopenhauer? 

- Não. Era Einstein mesmo. Desprezava tanto, que tirou uma foto estirando a língua. Como quem diz: “Olhe aqui pra vocês!”.

- Conheço a foto, mas não acho que ele fez aquilo por desprezo. Pra mim foi macaquice mesmo.

- Pode ser. Afinal de contas viemos todos do macaco, e vez por outra não resistimos a uma macaquice. Hobbes que o diga.

- Darwin! Hobbes é outra história -- ele nos associou a lobos. Queria que nos comêssemos uns aos outros. 

- Não exagere. Ele apenas disse que o homem é o lobo do homem.

- E o que faz um lobo, senão devorar a presa?

- Eu não concordo com o que você diz, mas seria capaz de recusar o próximo chopp para lhe garantir o direito de dizer isso.

- A frase é profunda, mas não original. Alguém já falou coisa parecida.

- Voltaire. Mas ele não menciona a cerveja. Portanto, parte da autoria é minha.

- Voltaire, aquele que serviu de inspiração a um personagem de Stephen King?

- Não. Voltaire, filósofo do Iluminismo. O personagem de King era o Iluminado e, ao que me consta, não tinha nada a ver com o autor desta outra frase famosa: “De pensar morreu um burro.”

- Essa história eu conheço. Ele não aguentou ver o burro morrer por causa de umas chibatadas que o dono lhe aplicava, e terminou enlouquecendo.

- Peraí, esse foi Nietzsche, precursor de um famoso herói de histórias em quadrinhos -- o Super-Homem. E não era um burro, era um cavalo!

- Nietzche? O que queria ser Cristo?

- Pelo contrário. Nietzsche queria ser o anticristo. Para isso ele se afastou dos - homens -- achava que o inferno são os outros.

- Eu pensava que essa frase era de um francês, Sartre de Beauvoir.

- Não. Esse foi o criador do feminismo moderno... Como esse papo promete ir longe, proponho que a gente pare com a cerveja. Do contrário, vai começar a confundir as coisas.

 

 

 

 
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