ESCRITOS FALOU E DISSE
Prova de português
04/04/2010
 

        - “O homem tropeçou no batente.” Qual o tipo de sujeito dessa frase?

        - Descuidado, professor. Se ele estivesse atento, não teria tropeçado.  

        - Não é isso, Pedrinho.  Refiro-me ao sujeito gramatical... É “simples”, pois tem apenas um núcleo. Mas deixa pra lá. Vamos ver se você conhece os complementos. “Diógenes jogou uma pedra na vidraça.” Classifique o objeto “uma pedra”? É direto ou indireto?

        - Depende. Se a pedra bateu em outro obstáculo antes de quebrar o vidro, o objeto é indireto. Se não, é direto.

        - Não tem nada de bater em outro obstáculo! “Pedra” é objeto direto, pois não se liga ao verbo por meio de preposição. Você está mal, mas vou lhe dar outra chance. “Busca por um emprego” -- transforme esse tópico em oração.

        - “Senhor, fazei com que eu consiga arranjar um emprego. O mercado está difícil, por isso apelo a vossa misericórdia para...”.

        - O que é isso?

        - Uma oração em busca de emprego, ora. O senhor não pediu?

        - Falei de um “enunciado com verbo”; é assim que a gramática define oração. Até agora você não acertou uma, e desse jeito vai ser reprovado. Como tenho bom coração, vou lhe fazer uma pergunta bem fácil. Diga uma frase em que apareça um artigo indefinido.

        - “O embrulho permaneceu fechado”.

        - Aí não tem artigo indefinido.

          - Como não tem? Se ninguém desfez o embrulho, não se pode definir o artigo que está nele.      

          - Essa sua lógica, Pedrinho! Já estou perdendo a paciência. Vamos sair da gramática e entrar nas figuras de linguagem. O que é “metáfora”?

         - O que não deve ser metido dentro. Por isto se manda meter fora.

          - Engraçadinho.... Dê um exemplo de hipérbole. Vou ajudar: hipérbole é exagero.

          - “O senhor é um ótimo professor.”

          - Aí tem exagero? Você acha que não sou tão bom assim?

          - Posso considerar justa a frase se o senhor me liberar da hipérbole.

          - Pedido aceito. Vamos saltar da hipérbole para a... metonímia. A metonímia é um tropo, uma figura de palavra. Ela permite que se estenda o sentido de um termo com base em relações de causalidade ou vizinhança. Pode-se designar, por exemplo, a parte pelo todo; o autor pela obra; o continente pelo conteúdo...

           - Isso é demais para a minha cabeça!

          - Excelente!! “Cabeça” no lugar de “cérebro”, “inteligência”. O continente pelo conteúdo. Ou o concreto pelo abstrato. Acertou.

          - Professor, eu não tive a intenção...

          - Não seja modesto, Pedrinho. Você acertou e está aprovado.

           “Menos um para engordar a estatística da evasão escolar”, pensou com alívio o mestre.

 

 

 

 
 Últimos escritos
30/08/2010
Duplo sentido
16/08/2010
Hipérbole e eufemismo
06/08/2010
"Para ler como um escritor"
31/07/2010
Uma questão de clareza
26/07/2010
"Eclipse"
18/07/2010
A imagem da Copa
06/07/2010
Futebol e acaso
.
 Mala direta
Cadastre seu e-mail e receba as novidades do portal e do Curso Chico Viana
 
.
 Caixa Postal
Conheça a opinião de alunos e leitores sobre o trabalho do professor Chico Viana.
Total de visitantes: 9845
Visitas hoje: 55
 
© www.chicoviana.com • 2007 - 2009
Todos os direitos reservados ao autor.
desenvolvimento e hospedagem
maquinariacultural.com.br