|
Recebo muitas perguntas sobre as provas de português aplicadas nos concurso. Os candidatos querem saber a melhor forma de estudar, quais os assuntos mais importantes e qual o nível de dificuldade das avaliações.
Um dos obstáculos ao bom desempenho é que geralmente o concursando deixa para estudar português na última hora. Como as provas hoje estão muito voltadas para a interpretação de textos, é preciso hábito de leitura e estudo da gramática por um tempo razoável.
As dificuldades para a interpretação têm a ver, primeiro, com a esfera do vocabulário (muitos candidatos desconhecem o sentido de palavras comuns). Depois se estendem ao domínio estrutural e lógico. É importante saber colocar o texto na ordem direta e estar apto a fazer inferências (deduções).
A preparação deve ocorrer de forma objetiva, com a resolução de provas elaboradas por órgãos como Esaf, Cespe, Cesgranrio, Fundação Carlos Chagas etc. Essas entidades, além de gramática e ortografia, priorizam em seus programas os mecanismos que promovem a textualidade (a exemplo de coerência e coesão).
As provas da Cesgranrio e da Fundação Carlos Chagas ainda se atêm aos conteúdos tradicionais da gramática. Mas isto não significa que sejam mais fáceis, nem que o questionamento gramatical siga os moldes antigos. Mais do que a memória, o que se exige dos alunos é a reflexão.
As provas da Esaf enfatizam a interpretação dos textos e exploram mais a competência lingüística do que a estritamente gramatical. As do Cespe buscam associar conteúdos de vários domínios do saber, e por isso às vezes confundem o estudante. Têm o inconveniente de uma questão errada anular uma certa.
Lembro, por fim, que o aprendizado da língua não se faz apenas em sala de aula. Os bons jornais e revistas são excelentes subsídios para isso. Eles trazem informações variadas, essenciais para se compreender as grandes questões atuais. E geralmente têm em seus quadros bons articulistas, cujos textos são referências preciosas para quem quer produzir um texto correto e enxuto.
|