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Uma queixa comum em quem se submete a concursos públicos diz respeito à forma como as questões são elaboradas. Nem sempre as bancas escolhem o caminho mais simples.
Não raro elas dificultam a formulação dos enunciados, o que exige do aluno não apenas a conhecimento do assunto como também – e sobretudo – uma atenção redobrada.
As questões de determinados concursos (e falo aqui, é óbvio, das que aparecem na disciplina Língua Portuguesa) são no geral descritivas e caudalosas com seus inúmeros textos. Podem transformar um questionamento simples num desafio complexo, em que o candidato se perde caso não esteja muito concentrado.
Mas não é apenas pela formulação que se aumenta a dificuldade das provas. Os textos a ser interpretados nem sempre são um modelo de clareza e simplicidade. Já vi alguns que pecavam contra o bom uso da língua.
Outros são bem escritos mas de grande dificuldade interpretativa, como um que apareceu numa prova de concurso público para auditor-fiscal da Receita Federal, aplicada em 2003.
Levei mais de uma aula para tentar explicar aos alunos os conceitos de episteme, doxa, bem como alguns rudimentos da fenomenologia de Husserl. Pois isso era necessário (pasme o leitor!) para eles entenderem e interpretarem um dos textos dessa prova, escrito pelo professor e filósofo Olavo de Carvalho.
É o caso de se perguntar: tais conhecimentos serão necessários e úteis ao trabalho de um auditor-fiscal? Um simples editorial jornalístico, se bem explorado, poderia medir a capacidade de leitura dos candidatos.
Por tudo isso, quem pretende fazer concurso não pode esquecer esta preciosa verdade: conhecer o estilo das provas é tão importante quanto dominar o conteúdo das diversas disciplinas. |