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Um de nossos alunos escreveu em sua redação: “Para elevar o IDH, o Brasil precisa literalmente de boas escolas e professores bem pagos”.
Advérbios são palavras perigosas. A maioria deles é inútil e deve ser cortada. Por que dizer que somos um povo “intrinsecamente alegre”? Haverá por acaso uma alegria extrínseca?
Tem gente que se vicia nas formas com “mente”. “Verdadeiramente” é uma praga. “Sistematicamente”, um vício. “Inexoravelmente”, um flagelo. E lá vêm frases como: “Precisamos verdadeiramente combater o nepotismo”; “Nossas autoridades estão sistematicamente deixando de lado o ensino público”; “O País caminha inexoravelmente para o caos”.
As frases soariam mais precisas e enérgicas sem esses adornos, que conferem uma falsa veemência à expressão.
No caso de “literalmente”, além do modismo ocorre uma impropriedade semântica. Ele só deve ser usado quando, entre dois sentidos possíveis, se quer destacar o que está “de acordo com a letra” (ou seja, o literal).
Suponhamos que alguém, deparando-se com algo que o deixe pasmo, caia e quebre o queixo. Nesse caso é possível dizer que ele ficou literalmente “de queixo caído”. Com isso, queremos realçar que a expressão não foi usada apenas em sentido metafórico.
Na passagem do aluno, o emprego do advérbio é inadequado. Não há como o país precisar “metaforicamente” de boas escolas e professores bem pagos. O enunciado só tem sentido literal.
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